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Tendência Governança LGPD

Sua IA decide sobre clientes? O que o Marco Legal da IA e a ANPD já esperam de você em 2026

O Marco Legal da IA (PL 2338) ainda não é lei: foi aprovado no Senado em dezembro de 2024 e tramita na Câmara dos Deputados. Mas a direção é clara, e a ANPD, agora agência reguladora autônoma, já colocou IA entre as prioridades de fiscalização. Quem usa IA para decidir sobre pessoas (crédito, preço, atendimento, RH) ganha tempo e tranquilidade se construir desde já o que o texto propõe: transparência, revisão humana documentada e registro de decisões.

Primeiro, o cenário sem alarmismo. O PL 2338 passou pelo Senado e hoje está em análise em comissão especial da Câmara dos Deputados, com expectativa de votação no segundo semestre de 2026. Enquanto isso, a ANPD, que ganhou status de agência reguladora autônoma, definiu 75 ações de fiscalização para o biênio 2026-2027, com inteligência artificial entre os eixos prioritários, segundo o Teletime.

Ou seja: a lei específica de IA ainda vai ser votada, mas o órgão que fiscaliza dados pessoais já está olhando para IA hoje, com a LGPD na mão.

R$ 50 mi
teto de multa por infração previsto no texto do PL 2338 aprovado no Senado (ou até 2% do faturamento)
75
ações de fiscalização definidas pela ANPD para o biênio 2026-2027, com IA entre as prioridades
2º sem
de 2026: expectativa de votação do Marco Legal da IA na Câmara dos Deputados

O que o PL 2338 propõe

O modelo do texto aprovado no Senado é o de classificação por risco, na linha do que a União Europeia adotou: quanto maior o potencial de dano da aplicação de IA, maiores as obrigações. Segundo a análise da Exame sobre o que muda para empresas, os pontos centrais são:

Vale repetir: nada disso vigora hoje. O texto ainda pode mudar na Câmara. O que não deve mudar é a espinha dorsal: risco, transparência, contestação, revisão humana.

O que a ANPD já cobra HOJE via LGPD

Aqui mora o ponto que muitos decisores ignoram: para quem usa IA sobre dados de clientes, boa parte do jogo já começou. A LGPD está em vigor desde 2020 e alcança decisões automatizadas:

Com a ANPD fortalecida e com um plano de fiscalização publicado que inclui IA, a chance de esses pontos saírem do papel para a prática de inspeção só aumenta.

Como se antecipar sem parar o negócio

A reação errada é congelar os projetos de IA até a lei sair. A reação certa é desenhar os projetos de um jeito que já nasce alinhado à direção regulatória, o que, na prática, é o mesmo desenho que faz um projeto de IA dar certo operacionalmente (já mostramos isso em IA não é projeto de TI, é projeto de operação):

A boa notícia é essa: alçada, gate humano e trilha de auditoria não são um custo extra de compliance que se adiciona depois. São a arquitetura de um sistema de IA bem feito. Quem constrói assim desde o início não vai precisar refazer nada quando a lei chegar.

“Regulação de IA no Brasil não é uma questão de se, é de quando e como. A empresa que já registra decisões, mantém revisão humana onde importa e sabe explicar o que a IA fez não vai correr atrás da lei: a lei é que vai chegar onde ela já está.”

Equipe SolicitAí

Este artigo é informativo e não constitui aconselhamento jurídico. Antes de tomar decisões de conformidade, valide o desenho com o jurídico da sua empresa ou com um advogado especializado em proteção de dados.

Perguntas frequentes

O Marco Legal da IA já está valendo?

Não. O PL 2338 foi aprovado no Senado em dezembro de 2024 e ainda tramita na Câmara dos Deputados, com expectativa de votação no segundo semestre de 2026. Até ser aprovado, sancionado e cumprir o prazo de adaptação, ele não cria obrigações. O que já vale hoje é a LGPD, que cobre decisões automatizadas sobre dados pessoais.

Minha empresa é pequena. Isso me alcança?

A LGPD já alcança empresas de qualquer porte que tratam dados pessoais, com aplicação proporcional. No texto do PL 2338, as obrigações variam conforme o grau de risco do sistema de IA, não conforme o tamanho da empresa: uma PME que usa IA para decidir crédito ou preço de clientes tende a ter mais deveres que uma grande empresa que usa IA só para tarefas internas.

Chatbot de atendimento é decisão automatizada?

Depende do que ele faz. Se apenas responde dúvidas e agenda conversas, o peso regulatório é baixo. Se ele nega um pedido, define um preço, aprova ou recusa um cadastro sem revisão humana, aí ele está tomando decisão automatizada sobre uma pessoa, e entra no radar da LGPD hoje e do Marco Legal amanhã. O critério é o efeito sobre o cliente, não a tecnologia.

O que documentar desde já?

Três coisas: um inventário de onde a IA toma ou influencia decisões sobre pessoas, o registro de cada decisão com a justificativa (o que a IA olhou e por que decidiu) e a definição escrita de quais decisões passam por revisão humana. Esse pacote atende ao espírito da LGPD hoje e é a base do que o PL 2338 propõe. Valide o desenho com o jurídico da sua empresa.